terça-feira, 19 de março de 2013

Quando se fala em 'glaucoma', é comum a definição simplória de 'pressão alta no olho'.  Esta é uma meia-verdade.  Glaucomas são muitos.  Comentaremos aqui somente os dois glaucomas mais comuns.

Glaucoma Crônico  (de ângulo aberto)
Dentro do olho há inúmeras estruturas  e fluidos.  Destes fluidos, um deles  -  o humor aquoso  -  é continuamente renovado.  Ao mesmo tempo em que é produzido no interior do olho, seu excesso é expulso do órgão.  Para que o olho não 'infle' nem 'murche', produção e expulsão do humor aquoso devem ocorrer simultaneamente, e em volumes iguais.  Assim, a pressão intra-ocular se mantém constante e dentro de valores normais.
No adulto, o invólucro ocular é rígido  (não se distende como um balão).  Assim,  se,  por qualquer motivo, ocorrer desequilíbrio entre formação e expulsão do aquoso,  a pressão interna variará.  Se a produção for maior do que a expulsão, esta pressão se elevará acima dos limites normais.  A esta condição chamamos hipertensão ocular.  Esta pressão excessiva comprime retina e nervo óptico de maneira danosa, matando-os aos poucos.  Como o processo progride lentamente  (anos), o portador não percebe que está perdendo 'campo visual'  (porção do espaço vista pelo olho em repouso).  A perda de campo visual é centrípeta  (de fora para dentro),  até que se torne tubular  (como se o olho estivesse olhando através de um tubo, sem visão periférica).
O glaucoma crônico de ângulo aberto é então definido pela tríade:  elevação da pressão intra-ocular  +  danos ao nervo óptico  +  contração do campo visual.
É comum o portador só perceber que há algo errado quando, dirigindo, passa a ser surpreendido repetidamente por veículos ao seu lado, próximos demais, às vezes com colisões laterais.
Daí a importância dos exames oftalmológicos preventivos anuais, em que o oftalmologista rotineiramente avalia acuidade visual,  pressão ocular  (para maiores de 40 anos ou suspeitos)  e fundo-de-olho  (buscando alterações no nervo óptico);  quando suspeito,  também campo visual.
Flagrado o diagnóstico de glaucoma crônico, o tratamento é eficaz, mas não recupera visão já perdida, limitando-se a preservar a visão remanescente  e evitar perda maior.

Glaucoma Agudo  (de ângulo fechado)
Aqui, 'ângulo' se refere à estrutura intra-ocular por onde o humor aquoso excedente sai do olho.  Com a idade, este ângulo vai se estreitando, até bloquear a saída do aquoso.  Como este humor continua sendo produzido e lançado no interior do olho, a pressão intra-ocular se eleva repentinamente  (horas).  A pressão se eleva tão rápida e dramaticamente, que, por regra, o portador percebe três alterações:

olho vermelho  +  dor  +  pupila maior do que a do outro olho.
Somada à pressão muito elevada que o médico encontra, esta tríade fecha o diagnóstico.  O tratamento é simples, mas urgente, porque, sem ele, a cegueira seria inevitável, definitiva, e muito rápida  (geralmente em 24-48 horas).  Percebendo os sinais descritos, portanto, o portador deve procurar socorro já nas primeiras 24 horas, quando a recuperação é ainda total. 

Ironica e paradoxalmente, a despeito do quadro dramático, o glaucoma agudo é menos perigoso do que o crônico, porque este último é insidioso, sorrateiro e 'silencioso'  (não produz dor, olho vermelho etc)  -  não 'avisa' que está causando danos, e, quando se percebe, já é tarde.  O glaucoma agudo, pelo contrário, dá vários sinais da sua presença, dando ao portador a oportunidade de buscar socorro médico a tempo de evitar danos irreversíveis.

Dentre glaucomas primários, congênitos e secundários, há muitos outros glaucomas  -  inclusive o  low-tension glaucoma, o mais traiçoeiro de todos, porque, neste, os danos se fazem presentes mesmo na presença de pressão intra-ocular baixa, não raro enganando inclusive o profissional a quem não ocorra a possibilidade !

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dr Victor Johnson
médico oftalmo-cefaliatra
Campinas SP
(19) 3296-3777

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